Como usar a tecnologia para identificar pragas no milho

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Pragas no milho: como o uso de tecnologia permite identificar pragas com economia de dinheiro e mão-de-obra.

O milho é uma entre as culturas mais produzidas mundialmente e no Brasil não é diferente. 

A produção nacional foi estimada em 102,3 milhões de toneladas na safra 2019/2020 pela Conab.

Esse número, aliado a outros fatores econômicos, segundo a CNA, fez com que o país assumisse a posição de maior exportador de milho em 2020.

Diante desses dados importantes, temos sempre que estar atentos aos fatores que possam causar redução da produção, como a incidência de pragas no milho.

Assunto esse, que tira o sono do produtor e pode tirar muita produtividade da lavoura

O uso de tecnologia é um fator que vem auxiliando o produtor também nesse sentido e traz retornos financeiro bem interessantes. 

E é isso que vamos discutir adiante: uso de tecnologia para identificar pragas do milho. Confira!

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Monitoramento de pragas no milho

A efetividade no controle das pragas exige ações eficazes no campo para proteger a produção e sua rentabilidade.

O ataque de pragas é crítico do momento da semeadura até a colheita, por isso um bom monitoramento da cultura é essencial para a tomada de decisão de controle.

A prática mais recomendada para o monitoramento de pragas é o Manejo Integrado de Pragas (MIP), que nada mais é que um conjunto de práticas que levam em conta a associação do ambiente com a dinâmica da população de pragas.

Essa prática leva em consideração se a análise dos níveis de população ou de danos está igual ou superior ao nível de controle, que é varia para cada praga e cultura. 

Caso atinja esse nível você deve iniciar o controle. E você pode usar a tecnologia para fazer esse monitoramento e identificar pragas no milho.

Como usar NDVI para monitorar e identificar de pragas no milho

Como falamos anteriormente, o monitoramento é fator determinante para identificar pragas no milho, evitando perdas na produção e consequentemente perdas financeiras.

Mas, aqui, vamos te mostrar uma tecnologia que tem ajudados inúmeros produtores a identificar essas pragas constantemente.

E o melhor, sem a necessidade de gastar com uma quantidade enorme de iscas, idas e zig-zags pelos talhões, funcionários dedicados somente nessa atividade, otimizando assim recursos e aumentando o lucro.

Mas afinal, o que são mapas NDVI?

O NDVI (Normalized Difference Vegetation Index), é um índice utilizado para medir a saúde da planta, com base no tipo de luz é refletido.

Em plantas saudáveis, a clorofila absorve fortemente a luz visível, principalmente nos comprimentos de onda do vermelho, azul e violeta. 

Enquanto isso, as estruturas celulares refletem o comprimento de onda do infravermelho próximo, que chamamos de NIR.

Já quando a planta está com algum problema, sofrendo ataque de pragas, a planta passa a absorver mais a luz infravermelha.

Dessa forma, essa relação de ondas de luz absorvidas e refletidas entre as ondas do NIR e o vermelho que chamamos de VIS, gera o índice NDVI.

Esse indice, varia na escala de -1 até +1, onde conseguimos caracterizar a saúde das plantas nessa escala conforme a figura a seguir.

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Fonte: Sentera

Vale lembrar que esse índice é geral para mapas vegetativos, onde alguns fatores e o tipo de cultura pode apresentar uma variação específica.

Valores NDVI e mapas de pragas no milho

Provavelmente você já deve ter visto os mapas de NDVI, ou mapas que são usados na agricultura de precisão, que variam na escala de cores do vermelho ao verde.

Pois então, você já está habituado aos mapas NDVI, basta agora saber como usá-los para monitorar e identificar as pragas do milho.

 Como falamos, os valores padrões de fitossanidade do NDVI estão entre -1,0 e +1,0, portanto os valores de -1 a 0 aparecem vermelhos, 0,0 a 0,33 são amarelados ou laranja-amarelados, 0,33 a 0,66 com tonalidade indo para verde e acima de 0,66 aparecem verdes.

Mas vale lembrar que não existe um mapa de cores "padrão", algumas pessoas não gostam dessas cores, outras querem mais cores e escalas e outras, menos. 

Como analisar e interpretar os mapas de NDVI

Os mapas de NDVI atuam como um sensoriamento remoto, permitindo ter informações da saúde da lavoura de qualquer lugar que você esteja. 

pragas-no-milho
Fonte: Agrointeli

Este exemplo, está delimitado a área de cultura, perceba pontos isolados dentro do talhão na cor vermelha, que na escala do mapa de vegetação são pontos ruins. 

O produtor até poderia ter encontrado esses pontos, mas a questão é, qual o custo dessa verificação no campo, em quanto tempo seria percebido isso?

Pois é, a aplicação da tecnologia NDVI para identificação de pragas no milho tem ajudado muito a melhorar a produtividade. 

Se você ficou interessado em utilizar essa tecnologia e tem dúvidas de como fazer esse mapa em sua propriedade, já adianto que é muito simples e o custo é baixo. 

Recomendo o nosso treinamento Como Criar Mapas de NDVI em 2 horas ou menos.

Outros usos do mapas NDVI

O uso dos mapas de NDVI não se limitam apenas as pragas do milho, mas proporcionam uma melhor gestão da fazenda inteira.

Alguns usos dessa tecnologia:

  • Análise de irrgação
  • Análise de fertilidade
  • Análise de doenças
  • Análise de infestação de plantas daninhas
  • Análise potencial de biomassa
mapa-de-NDVI

Fonte: BullGreen

Este é um exemplo de um mapa NDVI para análise de biomassa em pastagens. Permite com que a fazenda analise o potencial produtivo das áreas, podendo calcular antecipadamente a taxa de lotação.

Além disso a análise periódica permite o acompanhamento das pastagens, infestação de pragas e doenças. 

Quais são as principais pragas no milho 

Vamos rapidamente relembrar as principais pragas que afetam a produção do milho, mostrando são os insetos e seus danos, o que também é essencial para uma identificação efetiva.

Pragas subterrâneas do milho 

As pragas subterrâneas costumam atacar a semente e, após a germinação, causam danos às raízes da planta.

Entre elas estão:

  • Corós
  • Larva-alfinete
  • Larva-arame

Neste caso, o controle cultural, com a remoção de restos de culturas anteriores, a fim de não permitir que essas pragas fiquem hospedadas, tem grande resultado no controle dessas pragas

O tratamento de sementes também pode ser um bom aliado nesse caso.

Pragas iniciais do milho

As pragas iniciais são caracterizadas por atingir a cultura desde a germinação até a fase inicial da plântula com aproximadamente 30 dias após a germinação. 

Exemplos dessas pragas são:

  • Broca-do-colmo
  • Lagarta-rosca
  • Lagarta-elasmo
  • Percevejo barriga-verde

Essas pragas costumam atacar as plântulas de maneira a enfraquecê-la causando danos já no começo do crescimento.

Além disso, atacam sementes e chegam até a cortar as plântulas na haste, causando as famosas falhas de plantio que conhecemos. Por isso, voltamos na importância de identificar essas pragas.

Pragas da parte aérea do milho 

As pragas da parte aérea atacam as plantas em um estádio fisiológico onde a cultura está bem estabelecida e se preparando, ou mesmo pronta, para o florescimento.

Devido a essas características, as pragas desse tipo são vorazes e tem uma alta capacidade de dano às plantas. 

Por isso, temos que estar de olho. Já investimos tanto na cultura até esse ponto, então não queremos uma queda de produtividade neste momento. 

Estas pragas são:

  • Lagarta-do-cartucho
  • Pulgão-do-milho
  • Tripes
  • Cigarrinha-do-milho

Aqui as recomendações consistem no uso de inseticidas (biológicos ou não), além de armadilhas que são distribuídas a cada 5 hectares. Se minha área for de 1000 hectares, seria necessário distribuir 200 armadilhas, ou 1 armadilha a cada 1.500m.

armadilha-para-pragas-no-milho

Modelo de armadilha de feromônio com mariposas capturadas

Fonte: Sandra Brito - Embrapa

Adiante, vamos te mostrar uma forma de monitorar a lavoura com o uso de tecnologia, deste modo em poucas horas conseguimos monitorar e identificar as áreas que estão precisando de cuidados. Acompanhe!

Pragas da espiga do milho

E aqui também é um ponto crítico para o produtor, as pragas que atacam diretamente o produto final, para aqueles que comercializam os grãos.

  • Lagarta-da-espiga
  • Mosca-da-espiga
  • Percevejo-do-milho

Lagarta-da-espiga Helicoverpa zea

Fonte: Koppert

O controle, tanto da lagarta-da-espiga como de algumas lagartas que falamos anteriormente, pode também ser realizado pelo uso da tecnologia Bt. 

Conclusão

Vimos que as pragas do milho não dão fôlego para os produtores e o uso de tecnologias permite uma análise precisa e em um tempo menor para de tomada de decisão do que métodos tradicionais de monitoramento e identificação.

Os mapas de NDVI se tornaram uma ferramenta indispensável para os produtores avaliarem a saúde das plantas, independente do tamanho da propriedade

E interpretar esses mapas e entendê-los é crucial. 

Por mais que pareçam complexos, hoje temos cursos e profissionais que permitem e faz com que essa análise seja acessível à todos.

Como você tem monitorado as pragas no milho na sua fazenda? Utiliza algum tipo tecnologia? Ficou alguma dúvida ou tem sugestões? Deixe seu comentário abaixo!

Elaboração do artigo: Especialista Agrotécnico pelo Emergir Agropecuário, engenheiro agrônomo e especialista em marketing no agronegócio.

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